Agenda

Escrever não é somente um ato solitário. Uma oficina de escrita criativa pode auxiliar bastante no sentido de estimular a criatividade e adiantar descobertas que ocorreriam de forma lenta. Chega um momento em que é fundamental compartilhar os próprios textos. Ler, ouvir, trocar experiências, receber opiniões, somar. O processo de escrita é sim algo extremamente pessoal, não há verdades absolutas neste campo também, mas existem similaridades, e é em tal ponto que a troca se torna possível e enriquecedora.

A oficina "Ocultismo, Delírio e Kosmos”, de Isadora Krieger, propõe um mergulho no profundo abismo da escrita criativa. Juntamente com os participantes, ousa desvendar as questões misteriosas e tênues que a envolvem. Além de trabalhar aspectos de nível mais intelectual e objetivo, em suma: vai do kaos (caos primordial) ao kosmos (beleza, ordem). E, quando necessário, percorre o caminho inverso.

A oficina utiliza materiais ricos em símbolos, porque aborda o processo criativo pelo viés do mistério, já que tal processo nasce e se desenrola sem nunca se desprender do incognoscível. É pertinente e altamente produtivo proporcionar aos participantes uma atmosfera mítica e mágica.

 

ETAPAS DA OFICINA

 1) São feitos exercícios para estimular a criatividade provocando o inconsciente. A primeira fase da oficina é bastante dedicada a este aspecto, porque assim os participantes terão um material rico e honesto para começarem a escrever as suas histórias. Tais exercícios têm como base fundamentos da psicologia analítica, da filosofia, da literatura, da mitologia, da cosmogonia e da poesia. Pontos importantes da literatura e da escrita são abordados e estudados: autores, grandes obras, tipos de narrativa e narradores, ramificações dos tipos de narradores, brecha literária, conflito, metáfora, densidade, forma, precisão, concisão, links de transição, personagens, psicologia das personagens, entrega do autor, lapidação, fluxo de consciência, ritmo, musicalidade, imagens poéticas, vocabulário amplo, observação, entre outros.

2) Os exercícios são produtivos porque também auxiliam na compreensão da parte teórica. Através da prática mágica a teoria é melhor assimilada. Em grande parte dos exercícios os participantes são convidados a escrever. Porque quanto mais se escreve, mais próximo se fica do texto significativo. No decorrer da oficina os participantes escolhem o texto no qual desejam se debruçar.

3) A partir da escolha do texto é feita uma análise com cada um dos participantes. Com as leituras em voz alta são descobertas as características das personagens, segredos, conflitos; em suma, há uma análise/estudo da psicologia das personagens e do conteúdo da história neste primeiro momento. Paralelamente, são levados à oficina os temas/questões que as histórias trazem à tona, além de conversar sobre possibilidades e detalhes técnicos.

4) Na oficina algumas horas são reservadas exclusivamente à escrita. Quanto mais se escreve, mais próximo se fica do texto significativo. A prática da escrita e a liberdade de experimentar são fundamentais para se criar uma boa história. A oficina também proporciona aos participantes momentos nos quais é possível se dedicar ao que realmente lhes dá prazer, sentido e completude.

5) Na última fase, o foco é a lapidação e a preparação do texto. Sem nunca abandonar os aspectos do nível sutil-mágico-criativo.


SOBRE ISADORA KRIEGER

Isadora Krieger é poeta e escritora. Publicou o livro "O wi-fi da igreja é muito fraco" (Editora Urutau), o romance "Memória da Bananeira" (Carniceria Livros), a novela "Caráter Anal", na coleção Boca Santa (Carniceria Livros) e o livro de poemas "O Gosto da Cabeça", na coleção Poesia Menor (Publicações Iara). Atualmente trabalha na peça de teatro "Amadeleite" e no livro de poemas "Explorações Cardiomitológicas" (suplente no edital de residência artística do SESC em Santa Catarina). Realizou oficinas de escrita em São Paulo, São Carlos, Belo Horizonte e Balneário Camboriú.

Oficina/Workshop 18 anos

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